6 de julho de 2013

French 75, o drinque do nazista de 'Casablanca'


O champanhe é a bebida mais consumida no Rick’s Cafe, ponto de encontro no clássico Casablanca. Só que havia quem preferisse algo mais forte. Yvonne, atriz francesa ex-namorada do dono do bar, e seu amante nazista preferiam pedir para o barman Sascha o French 75. A combinação de gim e espumante é potente. Não por acaso o nome da bebida, surgida no final da década de 1910, é emprestado de um canhão da artilharia francesa na Primeira Guerra Mundial.

Modo de preparo
Ingredientes
- 35 ml de gim
- uma colher de café de açúcar
- 10 ml de suco de limão
- Espumante tipo Brut

Coloque o gim, o açúcar e o suco de limão em uma coqueteleira com cubos de gelo. Chacoalhe vigorosamente e despeje o conteúdo em uma taça tipo flute gelada. Complete com o espumante.

5 de julho de 2013

Campari com toque fascista



O aperitivo italiano Campari foi um dos pioneiros a investir em propaganda no mercado de bebidas – o primeiro anúncio no jornal Corriere della Sera é de 7 de janeiro de 1880.

Uma de suas estratégias do fim do século XIX até o mais da metade do século seguinte era contratar artistas para desenhar cartazes com objetivo de ganhar visibilidade nos pontos de venda.

Em 1932, a marca encomendou uma música para exaltar a bebida. Contratou o compositor Fernando Crivel, que começava a ficar conhecido por suas canções fascistas. Ele compôs L'ora del Campari
Em ritmo de marcha, a letra diz que o Campari fechou a alegria, quente e vermelha, dentro de uma garrafa.

E termina assim (clique aqui para ver a letra completa, a tradução e ouvir o som):
'Se d’affanni, vecchi malanni,
non si sente più novella,
se ciascun sorride lieto
e la vita trova bella,
se ragione misteriosa
a gioir ciascuno appella,
questa è l'ora senza pari,
questa è l’ora del Campari!'

A música foi recuperada recentemente para compor um anúncio do Camparisoda, uma espécie de Smirnoff Ice de Campari vendido na Itália.

4 de julho de 2013

O hambúrguer certo com a cerveja certa



Para começo de conversa, a hamburgueria Vapor Burger está instalada em um imóvel clássico para os primeiros anos da Vila Madalena como bairro boêmio. No 1464 da Fradique Coutinho funcionou por mais de uma década o clássico Estação Vila Bar.

Os donos remodelaram totalmente o espaço para abrigar a lanchonete – da comprida área externa onde ficavam mesas de madeira pesada, só resta a árvore localizada logo depois da escada da entrada, que foi preservada no modernoso projeto arquitetônico.

O barato aqui é comer hambúrguer com cerveja. Não é qualquer sanduíche: as carnes são preparadas no vapor. A técnica elimina parte da gordura sem alterar o sabor. “Não grelhamos, não fritamos e não usamos chapa”, alerta o cardápio. Os lanches são apetitosos.  O australiano tem rúcula, mix de queijos (com gorgonzola), cebola confitada e o hambúrguer de entrecôte.

O cardápio traz sugestões de cerveja para acompanhar. Esqueça as importadas (garrafas da Brooklyn Brewery, entre outras) e peça uma das variedades da ótima cervejaria catarinense Eisenbahn. São mais baratas e bem mais saborosas (a weizenbock, feita de trigo e não filtrada, é excelente nos dias frios).

Três poréns. 1) O mais grave é oferecer cerveja em inadequados potes de vidro (foto abaixo). Sim, sim, são charmosos, mas o melhor mesmo é servir em copo ou taça. 2) A acústica do salão é ruim, o que significa muito burburinho mesmo com poucas mesas ocupadas. 3) A lanchonete fecha cedo, perto da meia-noite, muito, mas muito esquisito para quem se acostumou a entrar madrugada adentro no Estação Vila Bar (uma fotinho aqui embaixo para matar a saudade).







Receita de uma sangria

As sangrias oferecidas em bares e restaurantes brasileiros raramente são boas - e normalmente são caras. Nem mesmo as vendidas em bares da moda, como a do carioca Venga! e a do paulistano Bottagallo – pelo menos para o meu paladar.

Para inspirar a todos, os de casa e os barmen, encontrei abaixo esse belo infográfico que ensina a preparar sangria, produzido pela revista novaiorquina Wine Enthusiast . Vale tentar.



3 de julho de 2013

Brahma x Antarctica: o duelo do século XX

Brahma e a Antarctica disputaram o mercado nacional de cerveja cabeça a cabeça até a fusão das empresas fazer surgir a Ambev, em 1999. A Companhia Antarctica Paulista, de 1885, tinha domínio do mercado de São Paulo. A Companhia Cervejaria Brahma, de 1888, era predominante no Rio de Janeiro. Ambas sempre gastaram muito com marketing.

O round de meados dos anos 1970 pode ser simplificado com esses dos comerciais para televisão: o ‘nós viemos aqui para beber ou para conversar’, de 1974, contra o ‘não deixe para depois a Brahma Chopp que você pode beber agora’, de 1976.

 

2 de julho de 2013

Gosto não se discute: as novas garrafas da Skol

Ainda bem que gosto não se discute. A Skol lançou garrafas de alumínio de 473 mililitros estampadas que podem ser transformadas em itens de decoração. As cervejas são vendidas no supermercado (4,99 reais cada) e os interessados compram kits para personalizar sua embalagem em luminárias, relógios, galheteiros, castiçais ou vasos (de 29,90 a 57,90). Em todos eles, o logo vermelho da Skol está lá, nada discreto, transformando a sala em cenário de propaganda de cerveja – e sem nenhuma bonitona junto.





Drinques de cinema - o dry martini de James Bond



“Mexido, não batido!”. Assim, com seu estilo direto, James Bond pedia seu drinque preferido: o dry martini. Sua origem é cercada de mistério. A versão mais corrente é que a receita foi inventada em 1911 para agradar o paladar exigente do magnata americano John D. Rockefeller. Seco, elegante, sempre no copo Y e uma azeitona. 007 gostava de variar. Muitas vezes, substituía o gim pela vodca. Um ou outro, ele jamais perdia a elegância.

Modo de preparo
 Ingredientes
- 55 ml de gim
- 15 ml de vermute seco
- Coloque os ingredientes em uma coqueteleira com cubos de gelo. Mexa os ingredientes com um colher bailarina. Despeje o conteúdo, sem o gelo, em um copo em formato Y gelado. Se quiser, decore com uma azeitona

2 de outubro de 2012

Bar do Alemão, tradição germânica em Curitiba


Sempre com chope de primeira, os bares de inspiração germânica tem lugar de honra na cultura de boteco nacional.

Brilha no Rio o centenário Bar do Luiz, nascido em 1887 como Zum Schlanch, mais tarde chamado Zum Alten Jacob. O Zur Alten Mühle é um cantinho alemão em São Paulo desde 1980.

Em Curitiba, cidade de marcante presença alemã, quem melhor representa a tradição etílica-gastronômica teutônica é o Bar do Alemão. O boteco chama-se, na verdade, Choparia (com dois 'as' mesmo) Schwarzwald (Floresta Negra, no idioma de Goethe). Só que todo mundo só o chama pelo apelido.

Qualquer taxista do aeroporto conhece o caminho até o local, que fica no centro da cidade, em uma rua de circulação restrita de trânsito.

É um grande bar! Abriu em 1979 e preserva seu estilo original: mesas rústicas de madeira, salsichas de diversos tipos e cerveja fresca servida em canecas resfriadas de 500 mililitros.

O drinque submarino, com uma canequinha de steinhäger de cabeça para baixo no fundo do copo, virou marca registrada. A canequinha de cerâmica vem de brinde. São dezessete diferentes para quem quiser a coleção completa.

Para desfrutar das duas principais opções sólidas do cardápio é preciso entender um pouquinho do vocabulário curitibano. Um deles é a carne de onça é uma versão local do beef tartar, em que você mesmo mistura os ingredientes. Aqui também é oferecido com batata frita e salada.

A outra é o hering, uma porção de peixe cru preparado na salmora, servido em uma cumbuca com nata, páprica e curry.

Se precisar, para equilibrar o grau de glicose no sangue, prove um delicioso apfelstrudel.

14 de setembro de 2012

Bar do Estadão, a cara de São Paulo



Uma das notícias boas da edição Comer e Beber da Vejinha deste ano foi a escolha, pelo público leitor, do Bar do Estadão como o endereço gastronômico que melhor representa a cidade. Confira aqui quais foram os vencedores de 2012 escolhidos pelo júri, do qual o Bares e Futilidades faz parte

O botecão superou outros dois clássicos paulistanos, muito mais conhecidos e mais confortáveis: o Bar Brahma, que ficou em segundo lugar, e o Terraço Itália, em terceiro. 

E realmente, sem a menor sombra de dúvida, tem mais a ver com o espírito paulistano do que os outros dois. 

O Estadão não é ‘fake’ como é o Bar Brahma nem parado no tempo como o Terraço Itália. Também não é uma lanchonete com cara de boteco, como a revista chama. 

Aberto em 1968, ele é um boteco autêntico. E dos bons. Funciona 24 horas, como é próprio da cidade. Só fecha na Sexta-Feira Santa e no Natal. O nome é um agrado para agradar os jornalista da redação do jornal Estadão, que funcionou ali do lado até meados dos anos 1970.

O sanduíche de pernil o fez famoso, mas serve também salgados, porções e refeições – é o melhor lugar para comer uma feijoada na madrugada de terça-feira para quarta-feira.  Sucos, cervejas, cachaças, uísques (do Black Label ao Natu Nobilis) 

A banca de revistas em frente ao bar é uma das primeiras a receber, quentinhos, os primeiros exemplares do dia. Três, quatro da manhã já é possível ler as notícias do dia.

Sua clientela é a mais eclética possível. De dia, engravatados, turistas, estudantes que vão pesquisar na biblioteca Mario de Andrade, vereadores (a Câmara fica em frente), jornalistas. A happy hour é movimentadíssima. À noite, taxistas, funcionários do Metrô, policiais, prostitutas, baladeiros a fim de um lanche antes de ir para casa.

Aqui, todo mundo tem lugar. Mesmo depois da fama, e da reforma, o bar manteve o imenso balcão. Come-se e bebe-se um do lado do outro, como nas gigantescas mesas de chope de Munique, onde fregueses que não se conhecem dividem o mesmo espaço.

É justamente esse caldeirão que faz do Estadão, de fato, o endereço gastronômico (entre bares, restaurantes, lanchonetes...) que melhor representa São Paulo.