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7 de agosto de 2013

A ampliação (e o ocaso) do Bar Leo


As fotos abaixo são da obra de ampliação do bar mais icônico de São Paulo: o Bar Leo. Elas foram tiradas pelo jornalista Danilo Valentini, do blog Vou Andar, com autorização de um garçom.

A choperia vai pelo menos dobrar de tamanho. O atual proprietário, o mesmo do Bar Brahma, está reformando o imóvel vizinho na Aurora. Pistas da decoração estão no site do boteco. Uma promoção pede a doação de canecas de chope com uma história relevante. O prêmio é ter o nome nas paredes do bar e um ano de Brahma grátis. A previsão é que tudo esteja pronto em setembro.

Está em estudo, informa o garçom, até prolongar o horário do bar, que hoje ainda fecha às 20h30. A ampliação do cardápio também está na agenda - os ótimos canapés devem ser mantidos. O projeto de renovação visa aproveitar os milhares de alunos da recém-inaugurada Fatec, praticamente colado ao local.

Embora possa ser visto como progresso lógico, são sinais do ocaso definitivo do boteco decano da cidade, aberto em 1940 e inspiração para dezenas de outros lugares.

Seu declínio começou com a morte do antigo proprietário, Hermes Rosa, em 2003, e foi escancarado no ano passado com a revelação que, por dois meses, o estabelecimento vendeu chope Ashby (mais barato e de qualidade inferior) no lugar do tradicional Brahma. Para piorar, foram encontrados alimentos vencidos e malconservados na cozinha, o que levou ao seu fechamento pela vigilância sanitária – leia o caso completo nesta reportagem da Vejinha. 

O panorama desolador praticamente forçou a venda do bar para Alvaro Aoas, um nome ligado ao cenário boêmio na região central há quase 25 anos, quando o empresário montou o ótimo São Paulo Antigo no Largo de Santa Cecília. Em um cenário parecido, ele adquiriu e comandou a virada do Bar Brahma.

A casa da Ipiranga com a São João virou um sucesso de público com seus shows populares, mas eliminou a maioria dos vestígios dos seus tempos áureos – seu anexo, o Brahminha, está totalmente descuidado. Simplesmente deixou de ser um lugar legal para beber um bom chope e respirar ares de uma São Paulo que ficou para trás.

Tomara que o Leo tenha melhor sorte e não vire um bar qualquer.



17 de julho de 2013

Petiscos de boteco: sanduichinhos de pão queijo


Localizado em uma rua tranquila na Vila Romana, o barzinho paulistano Empório Sagarana traz no seu cardápio um dos melhores petiscos de boteco de São Paulo: os sanduichinhos de pão de queijo.

As opções de recheio são pernil e tomate e queijo canastra. Descobrir qual é o melhor deles é uma questão para ser debatida bebendo uma das dezenas de variedades de cervejas premium, nacionais ou importadas, oferecidas pelo bar.

Só não demore muito para chegar ao veredito porque o tira-gosto costuma acabar cedo nas noites movimentadas.

Ainda bem que o estabelecimento tem outras ótimas comidinhas botequeiras, casos do bolinho de mexidinho recheados de queijo canastra, da panceta de porco a pururuca com batata e do lombo apimentado defumado.

Os garçons ajudam a indicar a melhor cerveja para cada um deles – ou cachaça, se for o gosto do freguês.

Apesar de atencioso, o serviço é um pouco ansioso para que os clientes paguem a conta depressa no fim do expediente. Não tem problema, volte outro dia mais cedo: o bar abre de segunda a sábado, às 17 horas.

Uma filial, com mais cara de mercearia do que de boteco, funciona no meio da muvuca da Vila Madalena.

12 de julho de 2013

A quarta geração de coquetéis do Sub Astor

Barbosa fizz
A nova carta de coquetéis do bar paulistano Sub Astor é mais uma prova que a criatividade na mixologia pode ir muito longe. Os cuidados na elaboração dos 27 drinques vão muito além da mistura de bebidas. Toda receita tem um copo especial, uma razão de ser, uma história inspiradora...

O barbosa fizz, por exemplo, é um negroni adaptado ao samba de Adoniran Barbosa. Combina o sabor marcante do Campari com tequila e um colarinho de chope – o meu preferido dos cinco ou seis que experimentei. O walker... on the beach é uma evolução da mania brasileira de uísque com água de coco – só que com água de coco gaseificada, com toques de tucupi e de um preparado com algas marinhas.

A grande novidade da quarta geração de drinques do lugar é o destaque para um fator que quase ninguém dá bola: o gelo.  No kaizoku-no sling, ele tem função decorativa. Pedrinhas ajudam a compor uma flor na mistura de ingredientes brasileiros e japoneses (a aguardente de banana combina com chá verde e outras cositas).

O gelo assume importância prática no barriga toronto, um drinque inspirado no período pré Lei Seca americana. Com uísque, lances do bitter italiano Fernet Branca e de melado de cana de Abaetetuba (no Pará), o coquetel é servido ‘on the diamond’, uma pedra de gelo cristal, quase o dobro do tamanho original,  aparada com uma faca especialmente importada do Japão. 

Quem assina as novidades é o bartender italiano Fabio la Pietra, que trabalhou por dois anos no estiloso bar londrino Montgomery Place e está há três meses na casa.

Cada trago custa de 23 a 33 reais. Como são trabalhosos no preparo, eles nem sempre chegam tão rápidos às mãos do cliente como uma caipirinha ou uma margarita frozen. Relaxe. Curta a o clima de clubinho, a trilha sonora de primeira e aprecie a impressionante habilidade dos barmen. Quando chegar, vai valer a espera. 

Kaizoku-no sling
Barriga Toronto

4 de julho de 2013

O hambúrguer certo com a cerveja certa



Para começo de conversa, a hamburgueria Vapor Burger está instalada em um imóvel clássico para os primeiros anos da Vila Madalena como bairro boêmio. No 1464 da Fradique Coutinho funcionou por mais de uma década o clássico Estação Vila Bar.

Os donos remodelaram totalmente o espaço para abrigar a lanchonete – da comprida área externa onde ficavam mesas de madeira pesada, só resta a árvore localizada logo depois da escada da entrada, que foi preservada no modernoso projeto arquitetônico.

O barato aqui é comer hambúrguer com cerveja. Não é qualquer sanduíche: as carnes são preparadas no vapor. A técnica elimina parte da gordura sem alterar o sabor. “Não grelhamos, não fritamos e não usamos chapa”, alerta o cardápio. Os lanches são apetitosos.  O australiano tem rúcula, mix de queijos (com gorgonzola), cebola confitada e o hambúrguer de entrecôte.

O cardápio traz sugestões de cerveja para acompanhar. Esqueça as importadas (garrafas da Brooklyn Brewery, entre outras) e peça uma das variedades da ótima cervejaria catarinense Eisenbahn. São mais baratas e bem mais saborosas (a weizenbock, feita de trigo e não filtrada, é excelente nos dias frios).

Três poréns. 1) O mais grave é oferecer cerveja em inadequados potes de vidro (foto abaixo). Sim, sim, são charmosos, mas o melhor mesmo é servir em copo ou taça. 2) A acústica do salão é ruim, o que significa muito burburinho mesmo com poucas mesas ocupadas. 3) A lanchonete fecha cedo, perto da meia-noite, muito, mas muito esquisito para quem se acostumou a entrar madrugada adentro no Estação Vila Bar (uma fotinho aqui embaixo para matar a saudade).







2 de outubro de 2012

Bar do Alemão, tradição germânica em Curitiba


Sempre com chope de primeira, os bares de inspiração germânica tem lugar de honra na cultura de boteco nacional.

Brilha no Rio o centenário Bar do Luiz, nascido em 1887 como Zum Schlanch, mais tarde chamado Zum Alten Jacob. O Zur Alten Mühle é um cantinho alemão em São Paulo desde 1980.

Em Curitiba, cidade de marcante presença alemã, quem melhor representa a tradição etílica-gastronômica teutônica é o Bar do Alemão. O boteco chama-se, na verdade, Choparia (com dois 'as' mesmo) Schwarzwald (Floresta Negra, no idioma de Goethe). Só que todo mundo só o chama pelo apelido.

Qualquer taxista do aeroporto conhece o caminho até o local, que fica no centro da cidade, em uma rua de circulação restrita de trânsito.

É um grande bar! Abriu em 1979 e preserva seu estilo original: mesas rústicas de madeira, salsichas de diversos tipos e cerveja fresca servida em canecas resfriadas de 500 mililitros.

O drinque submarino, com uma canequinha de steinhäger de cabeça para baixo no fundo do copo, virou marca registrada. A canequinha de cerâmica vem de brinde. São dezessete diferentes para quem quiser a coleção completa.

Para desfrutar das duas principais opções sólidas do cardápio é preciso entender um pouquinho do vocabulário curitibano. Um deles é a carne de onça é uma versão local do beef tartar, em que você mesmo mistura os ingredientes. Aqui também é oferecido com batata frita e salada.

A outra é o hering, uma porção de peixe cru preparado na salmora, servido em uma cumbuca com nata, páprica e curry.

Se precisar, para equilibrar o grau de glicose no sangue, prove um delicioso apfelstrudel.

2 de dezembro de 2010

Cervejas com carinho



O bar Melograno, em São Paulo, comemorou seu segundo ano de vida com o lançamento de sua segunda cerveja, a Due. Assim como a primeira receita da casa, a Uno, a bebida leva extrato de romã em sua composição - uma escolha para aproximar a novidade com o nome do bar, que significa romã em italiano.

A Due é uma cerveja de estilo Dubbel, de origem belga, fabricada pela cervejaria Bamberg. O dono, o craque Edua Passarelli,  explica: "Com um tom marrom-avermelhado, espuma densa e duradoura". A definição do aroma inclui chocolate, caramelo, banana-passa, ameixa, cerejas secas e cravo.

Na festa de lançamento, eu provei pelo menos três taças e meu nariz pouco treinado não conseguiu perceber nem metade desses detalhes. O feeling é de uma cerveja encorpada e muito boa.

Ali também tive a oportunidade de experimentar outro produto do segmento premium: a Colorado Double Indica. Assim como a Colorado Indica (o double do nome informa que o líquido traz o dobro de malte), a cerveja tem um marcante aroma de maracujá.

O que as duas têm em comum (e o que é o mais  importante): são cervejas tratadas com o maior carinho do mundo, com honras especiais. Seus fabricantes têm orgulho delas. Sim, claro, querem vender, mas querem muito mais receber elogios de um trabalho bem feito.

É este espírito fraternal, botequeiro, em busca de qualidade, de descobertas, que ficou da festa dos dois anos do Melograno, bar especializado em vender cervejas diferenciadas. A percepção é que o mercado das pequenas cervejarias tem um espaço enorme para contribuir, no quesito novidades, texturas novas e sabores surpreendentes. Ótima notícia para quem gosta de cerveja.

1 de novembro de 2010

A preguiça no crepúsculo


Na quinta retrasada, eu estive em dois grandes bares na mesma noite: o Pirajá e o Genésio. Os dois servem um chope de primeiríssima qualidade, tem uma cozinha bem acima da média e um ambiente excelente. 


Eu e um grupo de amigos bebemos e comemos muito bem na jornada dupla. Só que fomos praticamente expulsos do salão com uma tática que não combina com um boteco que respeita de verdade os seus clientes.

Tanto em um como em outro, os garçons começaram a colocar as cadeiras sobre as mesas enquanto estávamos na ativa. A atitude, além de deselegante, é tão ruim como vender bebida falsificada ou passar a comprar ingrediente de pior qualidade.

O roteiro é velho conhecido de quem gosta de ficar até bem tarde nos bares. Primeiro, os garçons circulam pelas mesas para avisar que a cozinha vai fechar. Certíssimo. Em seguida, vem o aviso de desligamento da chopeira. Justo. A conta chega em seguida, mesmo sem ter sido pedida. OK, com ressalvas.

A partir daí, os garçons não podem ter pressa. Tem de esperar os clientes terminarem a conversa, tomarem a saideira, sem mexer uma agulha no salão. Muito menos levantar as cadeiras sobre a mesa, indicando que já é a hora de embora. 

Não pode! Tem de esperar o ritmo lento, preguiçoso do crepúsculo. Os bebumns já sabem que é hora de embora. Não tá escrito em nenhum lugar, mas ele sabe. Mas ninguém ali tá com pressa. O garçom tem de ficar esperto até todos se levantarem Se for o caso, o gerente tem de criar uma escala para um deles ficar até o último cliente.

Só para registrar que essa falha no serviço ocorre em dezenas dos lugares. Já tive caso de começarem a lavar o salão antes de molhar a goela pela útlima vez! Cito o Pirajá e o Genésio porque tá fresco na mente e são dois lugares na lista dos 20 melhores bares da cidade. 


19 de outubro de 2010

Remédio para alma

O Veloso se tornou um daqueles que bares que lotam antes mesmo de levantar as portas. No sábado, dia de feijoada, as senhas são distribuídas 15 minutos de começar o serviço. Quando os garçons começam a anotar os pedidos, já tem fila de espera.

O melhor de tudo é que o bar está conseguindo sobreviver ao sucesso, ainda mais turbinado pela escolha de melhor boteco da cidade pelos jurados da Vejinha. É sinal de maturidade.

A coxinha de frango com catupiry e a feijoada continuam boas (quem gosta de um tempero mais picante precisa misturar à cumbuca o molhinho que a acompanha).

O Souza segue preparando caipirinhas sempre bem balanceadas. A vitrine de frutas é um convite para chegar ali do lado do barman e pedir uma receita ao gosto do freguês. Além de limão tahiti e das temíveis frutas vermelhas, tem romã, jabuticaba, limão-rosa, gengibre...

Ao meu pedido por um drinque-novidade, Souza respondeu com uma combinação com limão tahiti, gengibre e campim-santo (veja a foto abaixo e fique com água na boca). Tava uma delícia e refletiu na alma: o drinque me pegou chocho e ajudou a fazer meu dia bem mais feliz.

13 de outubro de 2010

Botecos por mais de mil ângulos

Muito bacana a galeria de imagens do grupo Botecos, do Flickr. O tema, claro, são os templos da brasilidade etílica. Vale pelo conjunto da obra: são 1.036 fotos (clicadas por 303 fotógrafos) de bebuns, bebidas, comidinhas, fachadas, garçons... É um panorama divertido de cultura de boteco por todo o país.

Mostro abaixo três delas, escolhidas aleatoriamente. Os autores são os usuário ::Flávio::, .merchan e lulu@.



9 de outubro de 2010

Os melhores da Vejinha - 5 anos de blog

A abstinência blogueira ultrapassou os sete meses desta vez, um recorde nos cinco anos em que o Bares e Futilidades surfa pela web. Não tem como arranjar desculpa, ainda mais eu que adoro internet e cultura de boteco...

O retorno é com um post clássico do blog, a análise rápida dos melhores bares de São Paulo, de acordo com os jurados escolhidos pela Vejinha SP. Eu, claro, estou entre eles - e devo dizer que votei em 7 dos 9 vencedores, uma performance de quase 80%. (meus votos não-premiados foram o Original, para melhor boteco, e no Barbolla, para ir a dois) 

É preciso dizer que a capa da edição 2010/2011 é a mais bonita de todos os tempos. Muito bacana. 

Vamos lá:

Melhor boteco: Veloso (Sensacional. Merece palmas por ser um lugar sem frescura, muito bem-cuidado, com preço justo e uma caipirinha insuperável. E um dono gente boa demais que deixa todos à vontade. Tô orgulhoso Otávio!)

Carta de cerveja: Melograno (Rivaliza com o Frangó como o melhor do assunto na cidade. A pequena dianteira surgiu pelo esforço de realizar encontros frequentes para apresentar cervejas adicionais ao cardápio.)

Carta de coquetéis: Subastor (O maravilhoso balcão incentiva ficar ali do lado do barman acompanhando a execução dos coquetéis. O menu de drinques traz receitas tentadoras para quem quer conhecer novos sabores e texturas. Só de dry martinis são oito opções.)

Cozinha: Bottagalo (Ótimo, mas ainda parece muito restaurante pro meu gosto. Uma brincadeira bacana são as opções de molho para comer com pão. Venceu mais pela novidade, pois é tão bom quanto o Adega Santiago, o Astor e o Bar da Dona Onça)

Música ao Vivo: Madeleine (Mistura um jazz gostosíssimo com um ambiente charmoso. Show de bola, ainda mais para ir a dois)

Para ir a dois: Terraço Itália (Clássico imperdível para namorados. Tem de ir pelo menos uma vez. O piano ao vivo, a formalidade dos garçons, o visual panorâmico, é um lugar com um estilo quase único na cidade, ainda mais nos dias de hoje, com as cervejarias pagando decoração de bar para um monte de gente)

Paquera: Vacaveia (É, antes de tudo, um grande boteco: salão simples, bom para comer e bebida honesta. Cheio, muito cheio, ainda mais de quinta a sábado. Só que sempre tem um apoio para o copo, mesmo na calçada. A variedade e o intenso vai-vem para pedir outra cerveja garantem dezenas oportunidades para cantadas e aproximações) 

Revelação e Barman do ano: Myny Bar (Sem dúvida, uma das melhores surpresas da cidade nos últimos anos. Som bacana, potronas confortáveis, nada de atropelo. Detalhe da decoração: primeiras páginas de jornais americanos do dia em que a lei seca entrou em vigor e de quando ela terminou. Mais caro do que a média. Brinque com os drinques, que trazem ingredientes inusitados.) 

4 de março de 2010

Atrás do Cemitário da Consolação

A Rua Mato Grosso, logo acima da Rua Sergipe, está cada vez mais movimentado. Na esquina com a rua Pará, o Bar Higienópolis é um desses lugarzinhos legais que surgiram ali, no cantinho de um bairro chique. É beeeeeeeeeem mais despretensioso que os restaurantes vizinhos Ici Bistrô e Mercearia do Francês. Ganha na simpatia.

O aconchego do ambiente é garantido pela iluminação suave e uma bem-bolada decoração concebida com papel e papelão reciclado. Observe os detalhes: o forro, as luminárias, as almofadas... Tudo feito com muito carinho. Mesas na calçada para o verão, com o visual da pracinha Vitor Del Mazo.

O chope Einsebahn traz um sabor diferente à mesmice da noite paulistana. As comidinhas, também. O bolinho de arroz vem acompanhado de um gostoso molho chutney. As batatinhas assadas vêm escoradas por gorgonzola e azeite. Bem bom.

Olha a foto aí embaixo para ficar com vontade. E Vai lá.

18 de setembro de 2009

Os bambambãs da Vejinha

A revista Veja São Paulo fez sua tradicional festança para premiar os melhores bares e restaurantes da cidade. A apresentação foi da atriz Claudia Raia e um monte de gente famosa apareceu para entregar as placas comemorativas.

Clique aqui para ver as resenhas e conferir o trabalho de Fabio Wright, o pequeno polegar da noite paulistana.

Ao que nos interessa aqui, segue a lista dos vencedores nas 11 categorias de bares, eleitos por 10 jurados - entre eles o autor deste blog:

Boteco: São Cristovão (é um boteco da geração século 21, com um chope no ponto e uma alheira sensacional. Quem gosta de futebol se diverte com as centenas de quadrinhos pelas paredes)

Carta de cervejas: Melograno (um post logo abaixo revela a minha opinião sobre o bar, aberto recentemente. Sua inauguração vai forçar o Frangó, com quem concorre cabeça a cabeça, a trazer ainda mais novidades)

Chope: Original (não é por acaso que venceu uma das categorias mais nobres pela oitava vez. Cuidado extremo com a bebida. De quebra é um dos 3 melhores bares da cidade)

Cozinha: Adega Santiago (água na boca só de passar na frente. É dos mesmos donos do Espírito Santo, que tem a minha preferência)

Feijoada de boteco: Veloso (Nem muito nem pouco. A caipirinha com três variedades de limão supera qualquer eventual deslize)

Happy hour: São Pedro São Paulo (Bar correto, no lugar errado. Apareça lá só depois das 21h)

Música ao vivo: Ó do Borogodó (Sambinha de primeira, gostoso; merecia estrutura melhor: quanto menos você beber, menos você vai se irritar para atravessar o apertado salão para pegar uma cerveja ou ir ao banheiro)

Para ir a dois: Baretto (Elegância e sofisticação. Não tem concorrentes na cidade em sua categoria)

Para paquerar: Sonique (Não conheço. Preciso ir até lá um dia destes para comprovar a fama - sim, só não posso esquecer de colocar minha opinião aqui neste nosso espaço)

Bar revelação: Subastor (Sensacional, muito astral. Se quiser sossego tem de chegar bem cedo mesmo ou, como orientou um amigo, voltar às 3h da matina para tomar a saideira sem atropelos. A trilha sonora confere um tchan a mais ao salão)

Barman do ano: Pereira - Astor e Subastor (Voz mansa, atencioso ao explicar os drinques para os clientes. Conta com auxiliares competentes para preparar os drinques sempre no ponto certo)

25 de agosto de 2009

O concorrente do Frangó



Aberto no final do ano passado, o bar Melograno (Rua Aspicuelta, 436, Vila Madalena) tornou-se em pouco tempo um ponto de referência em São Paulo para quem gosta de cerveja. É o primeiro verdadeiro concorrente do Frangó (Largo da Matriz Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó), cada um na sua, desde sua inauguração, em 1987.

Oferece mais de 130 rótulos, de 13 países. Vez ou outra, realiza degustações da bebida e promove festivais temáticos - até neste domingo (30), por exemplo, as garrafas escocesas estão com preços mais baixos.

Quem está por trás do barzinho é o Eduardo Passarelli, que conhece tudo sobre brejas e é autor de um bom blog sobre o tema, o Edu Recomenda.

Uma de suas sacada foi promover uma harmonização das cervejas com sanduíches, crostines, paninis e surpreendentes cebolas assadas entremeadas com recheios, tudo preparado no forno a lenha.

A outra é investir no processo de servir a cerveja, cada uma em um copo apropriado e sempre trocando os copos a cada garrafa. O cerimonial, por assim dizer, é bem-vindo, é bem legal, mas não pode ter espaços para exageros - o garçom, aliás, se atrapalhou pelo menos uma vez quando estive lá.

Afinal, apesar do preço salgado de algumas marcas e da tendência de trazer rituais do vinho para as geladas, cerveja precisa ser tomada como cerveja, num clima de simplicidade, sem frescurite.

Alertado disso, escolha sentar-se numa das mesa do salão dos fundos, com vista para o forno a lenha e com um teto retrátil para garantir refresco nas noites quentes.

Nota para a seção quizz dos bares: Melograno foi um bar de música ao vivo, que também ficava na Fradique Coutinho, também na Vila Madalena, liderado pelo saxofonista argentino Hector Costita. Achei um vídeo no Youtube sobre o pico. Clique aqui para ver.

1 de julho de 2009

Gosto não se discute

O Guia da Folha publicou na sexta passada (sim, estou bem atrasado) uma edição especial com os melhores bares e restaurantes de São Paulo.

Nosso blog aqui participou da votação do júri de bares. Os destaques da revista foram para o Astor (excelente, mas muito caro), vencedor em melhor bar e em melhor boteco chique; o Filial (ótima para o final de noite, quando o movimento diminui e o atendimento melhora), segundo lugar em melhor bar e melhor boteco chique, terceiro em melhor chope e ganhador na categoria melhor fim de noite, e o Veloso (pena que seja tão difícil conseguir uma mesa de quinta a sábado à noite), campeão em melhor caipirinha e na melhor porção, com a coxinha. Clique aqui para ver a relação completa.

A publicação também trouxe o resultado de uma inédita pesquisa feita pelo Datafolha sobre o assunto, em que foram ouvidas 1.389 pessoas. Só o fator gosto não se discute para explicar o fato de o Bar Brahma (só vale se for para levar um turista) ter vencido como melhor bar, boteco chique, fim de noite, happy hour, chope e música ao vivo - não é preciso nem oferecer clique para ir para a página.

Das categorias principais, as indicações do blog só combinaram com a caipirinha do Souza, lá do Veloso. Abaixo, abro para a posteridade todos os meus votos, um por um.

Melhor bar de SP - Dry
Fim de noite/madrugada - Genial
Boteco chique - Original
Caipirinha - Veloso
Carta de cerveja - Frangó
Chope - Bar Leo
Melhor Drinque - Caju Amigo, do Pandoro
Em hotel - Baretto
GLS - Bar da Dida
Happy hour - Tiro Liro
Música ao vivo - Teta
Para paquerar - Café Di Lounge
Pé-sujo - Bar do Luiz Nozoie
Porção - Bolacha de provolone, Empanadas

11 de maio de 2009

E o estômago?

Estive uma quinta dessas no Z Carniceria, bar moderninho no lado B da Rua Auguta, em São Paulo.

O lugar vive bem movimentado desde a inauguração, em março de 2009. E assim estava quando peguei a comanda com o porteiro, por volta da meia-noite.

A decoração-conceito, digamos assim, com meia-dúzia com ganchos de ferros exibindos salames no alto do bar, as paredes azulejadas de branco e uma cabeça de búfalo servem apenas para lembrar que ali funcionou um dia um açougue - o que também ajudou a definir o nome do bar.

O clima é de baladinha entre amigos, com uma trilha sonora de rocks clássicos e um pouco de jazz caçadas em rádios on-line.

O público que frequenta ali vai um pouco além do que se convencionou chamar de "descolado". Curte tatuagens, piercings, alargadores de orelha e muito preto nas roupas. Bom astral.

As bebidas são pedidas no balcão ou para uma das atrapalhadas garçonetes. Tem coquetéis tão modernos quanto a galera. O que leva o nome da casa, por exemplo, mistura vodca, caldo de carne e pimenta do reino, entre outros ingredientes. Sei lá. Meu segundo drinque foi o tradicionalíssimo chopinho.

O estômago sentiu falta de uma retarguada. Embora a casa anuncie que funcione até às 3 e meia da matina de quinta a sábado, a cozinha fecha à meia-noite, ou próximo disso. Não dá, né?

O endereço é Rua Augusta, 934.

27 de abril de 2009

Voltei, com o Dry!

Pela terceira vez, eu volto a atualizar o blog - sempre na esperança de nunca deixar de fazê-lo.

A inspiração veio da minha primeira visita de verdade do badalado bar Dry, que funciona há pouco mais de um ano em São Paulo. Estive lá logo depois da inauguração e consegui, após muito insistência com o porteiro, apenas dar uma breve olhada.

Agora não. Cheguei relativamente cedo, sentei numa mesa bacana, papo da melhor qualidade e pude provar alguns dos seus já famosos dry martinis.

Não lembro o nome exato dos drinques que provei, todos ótimos. Sei que experimentei pelo menos três deles: o clássico, um com gengibre e um preparado com a salmoura da azeitona (o mais forte deles).

Tudo conspira a favor: a decoração levemente descolada (os tampos da mesa são feitos por obras de artistas plásticos e estão à venda), o som cool e a iluminação na medida certa, sem deixar o salão escuro como um pub nem claro um boteco-chique.

O lugar é bárbaro, um dos melhores da cidade (pelo menos quando não está superlotado), fiel ao estilo sóbrio paulistano, definitivamente digno de ser tema de reestreia do blog.

Clique aqui para ver o site do bar - com direito a uma página ilustrada de como preparar um bom dry martini.

25 de julho de 2008

Juventude no centro - e apoio dos amigos

Nada como bons amigos para garantir conteúdo de qualidade para esse espaço. Muitos deles mandam e-mails cobrando a ausência de posts - o que me traz orgulho e faz eu ter um carinho especial pelo Bares e Futilidades. A Rachel Sciré fez mais: escreveu uma resenha contando como funciona a recém-inaugurada extensão do Bar Brahma. O lugar tem tudo para atrair bom público. Agora, são grandes as chances dos três violinistas que tocaram ali por décadas, até o início dos anos 90, devem estar se revirando no túmulo por causa do repertório. Aí vai:

O Bar Brahma está rejuvenescendo, junto com o centro de São Paulo. Localizada no cruzamento mais cantado da MPB, a casa inaugurou um outro espaço, batizado de Esquina da MPB (veja o site).

O puxadinho tem decoração moderna, dos sofás às telas de plasma, que exibem shows, documentários e entrevistas. O destaque fica para o painel de retratos (todos em preto-e-branco) de ícones da música brasileira, já que o local pretende receber novos talentos.

É uma boa opção para a galera sair dos circuitos de balada e conferir o centro da cidade. Dá para curtir a vista de uma das mesinhas na fachada do bar, ou do mezanino envidraçado, que também garante a visão para o mini-palco no térreo.

Ali, às sextas-feiras, a
Muda Cultural promove a “Festa do Samba”. A julgar pela forma como o grupo “Nova Versão” empolgou os freqüentadores, com versões de sambas conhecidos, será fácil atrair os jovens ao local. Ainda mais com promoção para estudantes universitários: entrada a R$ 10,00, com direito a um chopp. O couvert é R$ 20,00.

O espaço novo é separado do ambiente antigo (com pé direito alto, iluminação baixa e um público mais velha-guarda) apenas por uma porta de vidro. É possível transitar pelos dois para conhecer, mas se preferir assistir aos shows clássicos, como o do cantor Jair Rodrigues, o valor cobrado é outro.


19 de maio de 2008

Rola-bola no Bar da Cida



Eis o nome e a imagem do petisco vencedor do mais tradicional concurso de gastronomia de boteco, em Belo Horizonte. O 9º Comida di Buteco teve 41 concorrentes, dez a mais do que as edições anteriores. Detalhe: muita comida e pouco bolinho, ao contrário do que costuma ser a tônica na similar disputa paulistana.

Delícia do Bar da Cida (Rua Numa Nogueira, 287, Floramar, tel. (31) 3434-8715), claro, o tira-gosto traz almôndegas, batatinhas e fatias de pão - essencial para "móia" até o fim o molho da casa. O Bar da Cida, de quebra, também beliscou o título 2008 de melhor torresmo de BH.

O segundo colocado do concurso, que realizou a Festa da Saideira no domingo, 18 de maio, foi o Bar do Zezé (Rua Pinheiro Chagas, 406, Barreiro de Baixo, tel. (31) 3384-2444) e seu petisco rabo apertado, um virado de jiló com rabinho de porco e lombo (foto aqui embaixo). Encerra o pódio o pecado original, conserva de lagarto temperado e desfiado com petisco de maçã condimentada, do Agosto Butiquim (Rua Esmeralda, 298, Prado, tel. (31) 3337-6825).


10 de dezembro de 2007

Nada de espetinhos, por favor



O Dita Cabrita é um daqueles lugares ótimos para ir numa noite quente. A maior parte de suas mesas fica em um espaço ao ar livre, decorado com árvores frutíferas, plantes e flores. O bar está localizado na Pompéia (Rua Barão do Bananal, 961), em São Paulo.

De quebra, tem coisinhas gostosas para comer. É a própria dona do lugar, a Benedita Mazzari Pereira de Souza, a Dita Cabrita, quem criou os bolinhos que levam o nome do bar: crocantes e sequinhos por fora, massa cremosa à base de polenta e recheio de carne de cabrito por dentro. Tem ainda bobó de camarão, casquinha de siri e uma porção de miniacarajés.

São todos tão gostosos que não dá para entender quem prefere os malditos espetinhos, que parecem se espalhar por São Paulo como praga, alcançando até os locais mais charmosos.

1 de novembro de 2007

Vinho e jazz



Uma dica dos amigos Cris e Silvia, que foram conhecer um barzinho dos mais bacanas e fizeram questão de dividir a experiência com o nosso blog. E eles garantem que não são amigos do dono. Aí vai.

São Paulo é invejada por muitos pelas suas opções de lazer. No entanto, para paulistanos como eu e meu marido, esse lazer deve vir acompanhado de alguns detalhes que sempre limitam nossas opções: locais muito lotados ou onde seu carro e sua aparência são mais valorizados do que sua capacidade de pagar a conta e sair sobre as duas pernas depois de beber estão automaticamente fora.

Gostamos de música, mas não muito alta. Gostamos de boas bebidas, mas não queremos ser extorquidos por termos aprendido a beber coisas diferentes.
Gostamos de locais bem decorados, mas que não pareçam catálogo de loja americana.

Chatinhos, não? Bem menos do que você imagina. E para gente como a gente existem algumas boas opções na cidade. A mais nova nós tivemos a chance de conhecer na sexta-feira, 26 de outubro. É a noite de Jazz e Vinho da Enoteca SaintVinSaint, na rua Prof.Atílio Innocenti, 811.

O espaço é bem decorado, com forte sotaque da comédia Dell´Arte italiana, mas sem ficar caricato. As mesas estão distribuídas entre as altas estantes que abrigam os vinhos - a casa é originalmente uma importadora de vinhos - e por conta disso a bebida obrigatória é óbvia. As opções, nacionais e importadas, não deixarão ninguém decepcionado nem no preço e nem na qualidade. Os petiscos servem de acompanhamento para os vinhos e não como refeição, mas a delicadeza de oferecer opções de azeites para acompanhar o pão italiano faz diferença.

A música completa esse retrato. O trio Banzo Jazz executa clássicos com competência enquanto bebericam uma taça de vinho. Se não souber o que beber, peça uma dica para a proprietária, Lis Cereja, uma nutricionista que trocou de ramo por amor a integração de tudo o que é bom e belo. Ela parece estar no lugar certo.


A noite Jazz e Vinho acontece todas às sexta-feiras. A banda começa a tocar depois das 9 da noite. O couvert custa R$10 e a casa serve várias opções de vinhos em taças e também suco de uva.