Os bares de Agualusa
O ótimo romance As Mulheres de Meu Pai, do angolano José Eduardo Agualusa, relata a história de uma moçambicana vivendo em Portugal em busca de histórias de sua origem. Na busca, ela percorre Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique.
O curioso é que boa parte dos diálogos importantes do enredo ocorre dentro de bares. É ali que os personagens se desnudam para revelar um fato, abrir o coração ou mostrar outras personalidades.
Em cada uma dessas paradas, o escritor abre espaço para descrever o local e desvelar um pouco mais desses ambientes que nós gostamos muito.
Conheça alguns deles.
(Inevitavelmente o post ficou bem longo)
Lobito, Angola - "Revi o hotel Terminus, no Lobito. Lembro-me em criança ter almoçado lá algumas vezes. O que me lembro: 1) Dos empregados de mesa, muito hirtos, em resplendentes fardas brancas. Hoje, sempre que vejo um almirante recordo-me dos empregados de mesa do hotel Terminus. Se bem que nunca vi almirantes com tanta dignidade; ... O hotel Terminus foi recuperado por um banco privado angolano. Atrás, nas areias puríssimas da praia, ergue-se um bar bangalô."
Chibia, Angola - "Fomos depois à Chibia. Queria mostrar a Karen o Bar da Inês. Fica na rua principal. Não há muitas ruas na Chibia. O proprietário, um senhor de certa idade, mestiço muito claro, 'branco à rasca', segundo a Dona Augusta, nasceu em Malange e veio viver para a Chibia logo depois da independência. Tem uns olhos de azul diáfano, quase transparentes. Sportinguista ferrenho, pintou o pequeno espaço de verde e branco, e colocou em um dos cantos um leão de plástico.
Namibe (Mossâmedes), Angola - "O bar da Leopoldina está pintado de verde e branco. A um dos cantos, preso à parede,numa espécie de altar, entre velas acesas, dei com um gato empalhado pintado de verde. 'O que quer?', retorquiu o mucubal ao reparar meu espanto: 'Foi o Leão que se pode arranjar'. O mucubal fala com seu companheiro num idioma seco e sibilante, que a mim me parece russo. Victória, filha da terceira mulher do meu pai, serve mais duas cervejas aos jogadores (de xadrez). Peço-lhes três para nós. Pergunto-lhe: 'Estão a falar russo?'"
Canyon, Angola - "Estou na sala de jantar do Paraíso Lodge. Um homem gordo e calvo toca guitarra e canta em afrikaans. A vida inteira pensei que não pudesse existir no mundo inteiro nada pior do que música country. Afinal, existe: country cantado em afrikaans. Há mais um casal de boeres, que trabalham aqui, e dois adolescentes. Todos eles parecem muito animados com a atuação do homem gordo. Assalta-me uma sensação estranha: Estou em Angola e sinto-me estrangeiro. Nas paredes, há cartazes com imagens de peixes, e fotografias de pescadores carregando, orgulhosos, seus troféus"
Oncócua, Angola - "Levou-me a um bar chamado O Máximo, um lugar decrépito, com pôsteres de mulheres nuas colados às paredes e grades de cerveja encostadas aos cantos. Na luz escassa flutuavam rostos atormentados pelo álcool. Rapazes em tronco nu, com uma espécie de tanga de couro presa à cintura. meninas muito novas, com o cabelo laboriosamente entrançado, colares de búzios e miçangas, e os bicos duros dos peitos espetados nos meus olhos. Nossa entrada foi saudada com gritos e gargalhadas. Brand pediu meia dúzia de cerveja e distribuiu-as pelos rapazes e raparigas. Passou-me uma para a mão. 'Tarrachinha - disse, apontando para dois casais à nossa frente. - Lá na capital dança-se a tarrachinha?'"
Namíbia - "Anoitecia quando Pouca Sorte nos chamou a atenção para um bar, à beira da estrada. Parecia um cenário de um road movie americano, ao estilo de Thelma & Louise. Uma bomba de gasolina e o bar atrás, com um letreiro em neón: Moose's Bar. O deserto a toda volta. A luz rasa realçando o grão. Um céu de azul vibrante, porém quebrado, com vincos baços, como a fotografia abarrotada de um azul vibrante. Lá dentro havia apenas uma única pessoa, do outro lado do balcão, um homem na casa dos cinquenta, grande e gordo, já meio grisalho, apanhado num rabo de cavalo. Pedimos sumos de laranja e sandes de fiambre com tomate para os quatro."
Cidade do Cabo, África do Sul - "Ao longo da Long Street sucedem-se os restaurantes, os bares e as discotecas, quase todos cheios. Jantamos no Mama Africa, um restaurante de cozinha regional, enquanto uma orquestra de marimbas e batuques, acompanhava, numa euforia crescente, um jovem cantor, a intercalar trechos de obras famosas e velhas canções de Bob Marley. Seguimos depois, um pouco à deriva, de bar em bar. No primeiro, mais calmo, havia apenas casais de meia idade, todos brancos. No segundo movia-se aos empurrões uma turba ruidosa de jovens de todas as cores: loiros, ruivos, mulatos, negros, chineses, indianos, eu sei lá! Dir-se-ia uma convenção de modelos da Benetton"
Maputo, Moçambique - "Estávamos os quatro num restaurante de comida zambezina, na Feira Popular... Frango com churrasco, à zambeziana, é dos melhoes pratos, não obstante a singeleza do preparo. que se pode comer em Moçambique. Tempera-se o frango com sal, limão, pimenta e jindungo. Extrai-se o leite de um coco, rala-se o miolo e mistura-se com duas colheres de azeite. Grelha-se a galinha em fogo lento, regando-a constantemente com a mistura de coco e azeite. convém aproveitar o molho que vai escorrendo da grelha, e com o qual se rega a carne, novamente, na hora de ir para a mesa. Frango à zambeziana, pois, e cervejas para todos."
Luanda Angola - "Um boteco tosco, armado em cima do passeio, no alto do Quinaxixe, com vista para o caos urbano, e meio submerso pelo violento ruído do trânsito. Um barraca com um teto de lona, em pirâmide, três mesas em plástico, meia dúzia de cadeiras. O conjunto se chama Chapeuzinho e eu nem teria me dado conta sem as indicações de Monte.
Cultura de boteco. Histórias, notícias e bobagens do mais democrático dos espaços gastronômicos
17 de dezembro de 2010
3 de dezembro de 2010
Filmes dos anos 1950 da Guinness, o haikai das cervejas
A Guinness sempre foi craque de marketing. Os clássicos cartazes de animais com a excelente stout irlandesa estão espalhados por muitos botecos e pubs.
A versão animada, para TV, é bem menos conhecida. Os três filmes abaixo, muito bem-humorados, foram produzidos em 1955, 1956 e 1957.
Todos tão bacanas como um chope de Guinness (que o Cássio, dono do Frangó, apelidou de haikai das cervejas, por causa das três faixas no copo logo após a bebida ser servida)
A Guinness sempre foi craque de marketing. Os clássicos cartazes de animais com a excelente stout irlandesa estão espalhados por muitos botecos e pubs.
A versão animada, para TV, é bem menos conhecida. Os três filmes abaixo, muito bem-humorados, foram produzidos em 1955, 1956 e 1957.
Todos tão bacanas como um chope de Guinness (que o Cássio, dono do Frangó, apelidou de haikai das cervejas, por causa das três faixas no copo logo após a bebida ser servida)
2 de dezembro de 2010
Cervejas com carinho
O bar Melograno, em São Paulo, comemorou seu segundo ano de vida com o lançamento de sua segunda cerveja, a Due. Assim como a primeira receita da casa, a Uno, a bebida leva extrato de romã em sua composição - uma escolha para aproximar a novidade com o nome do bar, que significa romã em italiano.
A Due é uma cerveja de estilo Dubbel, de origem belga, fabricada pela cervejaria Bamberg. O dono, o craque Edua Passarelli, explica: "Com um tom marrom-avermelhado, espuma densa e duradoura". A definição do aroma inclui chocolate, caramelo, banana-passa, ameixa, cerejas secas e cravo.
Na festa de lançamento, eu provei pelo menos três taças e meu nariz pouco treinado não conseguiu perceber nem metade desses detalhes. O feeling é de uma cerveja encorpada e muito boa.
Ali também tive a oportunidade de experimentar outro produto do segmento premium: a Colorado Double Indica. Assim como a Colorado Indica (o double do nome informa que o líquido traz o dobro de malte), a cerveja tem um marcante aroma de maracujá.
O que as duas têm em comum (e o que é o mais importante): são cervejas tratadas com o maior carinho do mundo, com honras especiais. Seus fabricantes têm orgulho delas. Sim, claro, querem vender, mas querem muito mais receber elogios de um trabalho bem feito.
É este espírito fraternal, botequeiro, em busca de qualidade, de descobertas, que ficou da festa dos dois anos do Melograno, bar especializado em vender cervejas diferenciadas. A percepção é que o mercado das pequenas cervejarias tem um espaço enorme para contribuir, no quesito novidades, texturas novas e sabores surpreendentes. Ótima notícia para quem gosta de cerveja.
O bar Melograno, em São Paulo, comemorou seu segundo ano de vida com o lançamento de sua segunda cerveja, a Due. Assim como a primeira receita da casa, a Uno, a bebida leva extrato de romã em sua composição - uma escolha para aproximar a novidade com o nome do bar, que significa romã em italiano.
A Due é uma cerveja de estilo Dubbel, de origem belga, fabricada pela cervejaria Bamberg. O dono, o craque Edua Passarelli, explica: "Com um tom marrom-avermelhado, espuma densa e duradoura". A definição do aroma inclui chocolate, caramelo, banana-passa, ameixa, cerejas secas e cravo.
Na festa de lançamento, eu provei pelo menos três taças e meu nariz pouco treinado não conseguiu perceber nem metade desses detalhes. O feeling é de uma cerveja encorpada e muito boa.
Ali também tive a oportunidade de experimentar outro produto do segmento premium: a Colorado Double Indica. Assim como a Colorado Indica (o double do nome informa que o líquido traz o dobro de malte), a cerveja tem um marcante aroma de maracujá.
O que as duas têm em comum (e o que é o mais importante): são cervejas tratadas com o maior carinho do mundo, com honras especiais. Seus fabricantes têm orgulho delas. Sim, claro, querem vender, mas querem muito mais receber elogios de um trabalho bem feito.
É este espírito fraternal, botequeiro, em busca de qualidade, de descobertas, que ficou da festa dos dois anos do Melograno, bar especializado em vender cervejas diferenciadas. A percepção é que o mercado das pequenas cervejarias tem um espaço enorme para contribuir, no quesito novidades, texturas novas e sabores surpreendentes. Ótima notícia para quem gosta de cerveja.
30 de novembro de 2010
Postais bebuns
O envio de cartões postais com piadas e frases de duplo sentido foram muito comuns no século XX - e muito deles tratavam de bares e bebedeiras.
Na Inglaterra, uma das referências desses produtos era a gráfica Bamforth & Co. A empresa foi criada por James Bamforth, fotógrafo de primeira geração, que passou a investir em bem-humorados cartões - cumpria mais ou menos a funções dos e-cards da era web.
São da Bamforth & Co. os exemplos abaixo. Copiados de uma site especializado (a cardcow.com), os únicos com data de postagem são os três primeiros, enviados respectivamente em 1909, 1910 e 1923. Mas todos são muito legais.
O envio de cartões postais com piadas e frases de duplo sentido foram muito comuns no século XX - e muito deles tratavam de bares e bebedeiras.
Na Inglaterra, uma das referências desses produtos era a gráfica Bamforth & Co. A empresa foi criada por James Bamforth, fotógrafo de primeira geração, que passou a investir em bem-humorados cartões - cumpria mais ou menos a funções dos e-cards da era web.
São da Bamforth & Co. os exemplos abaixo. Copiados de uma site especializado (a cardcow.com), os únicos com data de postagem são os três primeiros, enviados respectivamente em 1909, 1910 e 1923. Mas todos são muito legais.
23 de novembro de 2010
Vodca e cultura de boteco
O livro Rei da Vodca - A Saga Família Smirnov e a Construção de um Império está dentro da categoria que eu chamo de literatura de boteco. Ao contar a história da marca de vodca mais vendida do mundo, a Smirnoff, traz um monte de curiosidades bacanas.
Algumas delas:
- No início do século XIX, a lei russa proibia qualquer estabelecimento de bebida alcoólica a menos de 85 metros da entrada de uma igreja
- A origem da coroa na logomarca da Smirnoff está ligada ao fato de seu inventor, um ex-servo, ter como objetivo agradar os czares no século XIX
- Donos de tabernas exageravam no sal e na pimenta para aumentar a sede dos consumidores de vodca.
- O primeiro anúncio da então vodca Smirnov veio em 1881 - e criticava a onda de vodcas falsificadas que inundaram o mercado russo.
- O dono da marca nos Estados Unidos convocou um elenco estrelado para fazer propaganda da vodca nos anos 1960 e 1970 (clique aqui para ler a matéria no blog)
- Smirnoff aparece em 21 dos 22 filmes de James Bond
O livro Rei da Vodca - A Saga Família Smirnov e a Construção de um Império está dentro da categoria que eu chamo de literatura de boteco. Ao contar a história da marca de vodca mais vendida do mundo, a Smirnoff, traz um monte de curiosidades bacanas.
Algumas delas:
- No início do século XIX, a lei russa proibia qualquer estabelecimento de bebida alcoólica a menos de 85 metros da entrada de uma igreja
- A origem da coroa na logomarca da Smirnoff está ligada ao fato de seu inventor, um ex-servo, ter como objetivo agradar os czares no século XIX
- Donos de tabernas exageravam no sal e na pimenta para aumentar a sede dos consumidores de vodca.
- O primeiro anúncio da então vodca Smirnov veio em 1881 - e criticava a onda de vodcas falsificadas que inundaram o mercado russo.
- O dono da marca nos Estados Unidos convocou um elenco estrelado para fazer propaganda da vodca nos anos 1960 e 1970 (clique aqui para ler a matéria no blog)
- Smirnoff aparece em 21 dos 22 filmes de James Bond
3 de novembro de 2010
Nós viemos aqui para beber ou para conversar?
A pergunta no tom sarcástico de Adoniran Barbosa virou um bordão clássico da publicidade brasileira.
O verso ajudou a vender muita cerveja Antarctica no início dos anos 70 e, ainda hoje, é lembrada pela boêmia experimentada, especialmente daquela que lembra que a Brahma e a Antartica eram concorrentes de primeira grandeza.
Era tudo muito muito bem-humorado, sem mulher pelada e jogadores de futebol. Num dos filmes, a frase sai da boca de uma estátua antes de um orador começar um discurso. É bem bacana
Além da campanha publicitária, o próprio Adoniran compôs em 1972 a marcha Nóis viemos aqui prá quê?, inspirada no mote
Tanto a canção como o filme na TV são ótimos. Abaixo estão os vídeos e as letras das composições.
Domingo fomos todos prestigiar
Uma festa no largo do Bixiga
Ia ser inaugurada a estáuta
Do famoso benemérito Ataliba
Cerveja Antarctica teve para todo mundo
E a raça toda de copo na mão
Se apreparou pra prestar atenção
No discurso do mestre Raimundo
Mas quando ele ia começar
A chimangada toda gelou
Porque em vez do Raimundo falar
Foi a estáuta quem falou:
Vocês vieram aqui pra bebê ou pra conversá?
Cerveja Antarctica, cerveja nossa
Nóis viemos aqui prá quê
Não me amole rapaz
Não me amole
Não me amole
Deixa de conversa mole
Agora não é hora de falá
Nóis viemos aqui
Prá beber ou prá conversá?
Quem gosta de discurso
É orador (é isso aí bixo)
Quem gosta de conversa
É camelô (falou psiu)
Agora não é hora de falá! (o home tá pagando, vamo aproveitá)
Nóis viemos aqui
Prá beber ou prá conversá?
(o que eu combinei foi o seguinte: nóis viemos aqui pra beber e não conversar)
O verso ajudou a vender muita cerveja Antarctica no início dos anos 70 e, ainda hoje, é lembrada pela boêmia experimentada, especialmente daquela que lembra que a Brahma e a Antartica eram concorrentes de primeira grandeza.
Era tudo muito muito bem-humorado, sem mulher pelada e jogadores de futebol. Num dos filmes, a frase sai da boca de uma estátua antes de um orador começar um discurso. É bem bacana
Além da campanha publicitária, o próprio Adoniran compôs em 1972 a marcha Nóis viemos aqui prá quê?, inspirada no mote
Tanto a canção como o filme na TV são ótimos. Abaixo estão os vídeos e as letras das composições.
Domingo fomos todos prestigiar
Uma festa no largo do Bixiga
Ia ser inaugurada a estáuta
Do famoso benemérito Ataliba
Cerveja Antarctica teve para todo mundo
E a raça toda de copo na mão
Se apreparou pra prestar atenção
No discurso do mestre Raimundo
Mas quando ele ia começar
A chimangada toda gelou
Porque em vez do Raimundo falar
Foi a estáuta quem falou:
Vocês vieram aqui pra bebê ou pra conversá?
Cerveja Antarctica, cerveja nossa
Nóis viemos aqui prá quê
Não me amole rapaz
Não me amole
Não me amole
Deixa de conversa mole
Agora não é hora de falá
Nóis viemos aqui
Prá beber ou prá conversá?
Quem gosta de discurso
É orador (é isso aí bixo)
Quem gosta de conversa
É camelô (falou psiu)
Agora não é hora de falá! (o home tá pagando, vamo aproveitá)
Nóis viemos aqui
Prá beber ou prá conversá?
(o que eu combinei foi o seguinte: nóis viemos aqui pra beber e não conversar)
1 de novembro de 2010
A preguiça no crepúsculo
Na quinta retrasada, eu estive em dois grandes bares na mesma noite: o Pirajá e o Genésio. Os dois servem um chope de primeiríssima qualidade, tem uma cozinha bem acima da média e um ambiente excelente.
Eu e um grupo de amigos bebemos e comemos muito bem na jornada dupla. Só que fomos praticamente expulsos do salão com uma tática que não combina com um boteco que respeita de verdade os seus clientes.
Tanto em um como em outro, os garçons começaram a colocar as cadeiras sobre as mesas enquanto estávamos na ativa. A atitude, além de deselegante, é tão ruim como vender bebida falsificada ou passar a comprar ingrediente de pior qualidade.
O roteiro é velho conhecido de quem gosta de ficar até bem tarde nos bares. Primeiro, os garçons circulam pelas mesas para avisar que a cozinha vai fechar. Certíssimo. Em seguida, vem o aviso de desligamento da chopeira. Justo. A conta chega em seguida, mesmo sem ter sido pedida. OK, com ressalvas.
A partir daí, os garçons não podem ter pressa. Tem de esperar os clientes terminarem a conversa, tomarem a saideira, sem mexer uma agulha no salão. Muito menos levantar as cadeiras sobre a mesa, indicando que já é a hora de embora.
Não pode! Tem de esperar o ritmo lento, preguiçoso do crepúsculo. Os bebumns já sabem que é hora de embora. Não tá escrito em nenhum lugar, mas ele sabe. Mas ninguém ali tá com pressa. O garçom tem de ficar esperto até todos se levantarem Se for o caso, o gerente tem de criar uma escala para um deles ficar até o último cliente.
Só para registrar que essa falha no serviço ocorre em dezenas dos lugares. Já tive caso de começarem a lavar o salão antes de molhar a goela pela útlima vez! Cito o Pirajá e o Genésio porque tá fresco na mente e são dois lugares na lista dos 20 melhores bares da cidade.
20 de outubro de 2010
19 de outubro de 2010
Remédio para alma
O Veloso se tornou um daqueles que bares que lotam antes mesmo de levantar as portas. No sábado, dia de feijoada, as senhas são distribuídas 15 minutos de começar o serviço. Quando os garçons começam a anotar os pedidos, já tem fila de espera.
O melhor de tudo é que o bar está conseguindo sobreviver ao sucesso, ainda mais turbinado pela escolha de melhor boteco da cidade pelos jurados da Vejinha. É sinal de maturidade.
A coxinha de frango com catupiry e a feijoada continuam boas (quem gosta de um tempero mais picante precisa misturar à cumbuca o molhinho que a acompanha).
O Souza segue preparando caipirinhas sempre bem balanceadas. A vitrine de frutas é um convite para chegar ali do lado do barman e pedir uma receita ao gosto do freguês. Além de limão tahiti e das temíveis frutas vermelhas, tem romã, jabuticaba, limão-rosa, gengibre...
Ao meu pedido por um drinque-novidade, Souza respondeu com uma combinação com limão tahiti, gengibre e campim-santo (veja a foto abaixo e fique com água na boca). Tava uma delícia e refletiu na alma: o drinque me pegou chocho e ajudou a fazer meu dia bem mais feliz.
O Veloso se tornou um daqueles que bares que lotam antes mesmo de levantar as portas. No sábado, dia de feijoada, as senhas são distribuídas 15 minutos de começar o serviço. Quando os garçons começam a anotar os pedidos, já tem fila de espera.
O melhor de tudo é que o bar está conseguindo sobreviver ao sucesso, ainda mais turbinado pela escolha de melhor boteco da cidade pelos jurados da Vejinha. É sinal de maturidade.
A coxinha de frango com catupiry e a feijoada continuam boas (quem gosta de um tempero mais picante precisa misturar à cumbuca o molhinho que a acompanha).
O Souza segue preparando caipirinhas sempre bem balanceadas. A vitrine de frutas é um convite para chegar ali do lado do barman e pedir uma receita ao gosto do freguês. Além de limão tahiti e das temíveis frutas vermelhas, tem romã, jabuticaba, limão-rosa, gengibre...
Ao meu pedido por um drinque-novidade, Souza respondeu com uma combinação com limão tahiti, gengibre e campim-santo (veja a foto abaixo e fique com água na boca). Tava uma delícia e refletiu na alma: o drinque me pegou chocho e ajudou a fazer meu dia bem mais feliz.
18 de outubro de 2010
Fim de noite em música
Não me lembrava da introdução que Chico Buarque e Tom Jobim fizeram para a clássica Turma do Funil, marchinha de 1956 assinada por Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro.
Escritos em 1979, os versos de Chico e Jobim retratam, com muito estilo e conhecimento de causa, um fim de noite em um boteco, 'quando não tem mais cadeira e a porta do bar já fechou'.
O vídeo abaixo (após a letra) toca uma gravação completa, com a abertura e o refrão 'todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto', com Chico, Miúcha e Mirabeau.
Quando é tão densa a fumaça
Que o tempo não passa
E a porta do bar já fechou
Quando ninguém mais tem dono
O garçom tá com sono
E a primeira edição circulou
Quando não há mais saudade, nem felicidade
Nem sede nem nada nem dor
Quando não tem mais cadeira
Tomo uma besteira de pé no balcão
Eis que da porta dos fundos
Do oco do mundo
Desponta o cordão
Chegou a turma do funil...
Não me lembrava da introdução que Chico Buarque e Tom Jobim fizeram para a clássica Turma do Funil, marchinha de 1956 assinada por Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro.
Escritos em 1979, os versos de Chico e Jobim retratam, com muito estilo e conhecimento de causa, um fim de noite em um boteco, 'quando não tem mais cadeira e a porta do bar já fechou'.
O vídeo abaixo (após a letra) toca uma gravação completa, com a abertura e o refrão 'todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto', com Chico, Miúcha e Mirabeau.
Quando é tão densa a fumaça
Que o tempo não passa
E a porta do bar já fechou
Quando ninguém mais tem dono
O garçom tá com sono
E a primeira edição circulou
Quando não há mais saudade, nem felicidade
Nem sede nem nada nem dor
Quando não tem mais cadeira
Tomo uma besteira de pé no balcão
Eis que da porta dos fundos
Do oco do mundo
Desponta o cordão
Chegou a turma do funil...
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