Terça-feira, Novembro 08, 2011

Botequim em Veneza

Preciso compartilhar com vocês um post do Ricardo Freire, no ótimo blog Viaje na Viagem. Explorador de primeiro time, ele apresenta um autêntico um autêntico botequim de Veneza, na Itália, .

Ele apresenta o Al Bottegon, à beira-canal perto da estação Zattere do vaporetto. As fotos (uma delas abaixo) dos tira-gostos montados sobre fatias de pão dão água na boca. Para ver mais fotos e ler o post completo clique aqui. 





Sexta-feira, Novembro 04, 2011

Beberrões das letras

Imagine reunir em uma mesa de bar Ernest Hemingway, Edgar Allan Poe, Truman Capote, Scott Fitzgerald e outros escritores bons de copo. O roteirista Mark Bailey (nada a ver com o licor de origem irlandesa Bailey's) e o ilustrador Edward Hemingway (neto do autor de O Velho e o Mar) tentaram reproduzir o espírito de um encontro assim no Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos.

O livro traz histórias e preferências etílicas de 43 homens e mulheres, cinco deles vencedores do Nobel e quinze do Pulitzer. Com belas ilustrações, é uma espécie de manual para ter junto do mar, ao lado da coqueteleira, dos copos e das garrafas. A publicação traz receitas das bebidas preferidas de cada um deles: o negroni de Conrad Aiken, o mint julep de William Faulkener, o coquetel de champanhe de Dorothy Parker...

De quebra, os autores pinçaram frases inspiradoras dos homenageados:

- "Um martini é bom, dois é demais e três é pouco", James Thurber

- "Depois de um drinque é muito difícil não tomar outro. Depois de três, é ainda mais difícil não tomar mais três", James Agee

- "De que adianta ganhar um prêmio Nobel se isso não nos permite entrar em bares clandestinos", Sinclair Lewis.


Quarta-feira, Outubro 19, 2011

Comida de boteco é a de rua

A grande inspiração para os tira-gostos e outras comidinhas em botecos está nas ruas. Quase tudo o que é vendido em carrinhos ambulantes pode ser adaptado para uma mesa de bar - e, em geral, costuma dar certo.

Abaixo um breve ensaio de fotos de comida de rua de Bogotá, capital da Colômbia. A variedade é enorme, muito maior do que nas vias paulistanas.Tem banana verde frita, sandubas, gelatinas de mocotó, carne de porco, chorizo, arepa... A lamentar só o fato dos bares colombianos da moda preferirem servir pizzas e 'hamburguesas' do que sua diversificada baixa gastronomia local.





















Terça-feira, Abril 12, 2011

Conversa de bar


O divertido texto abaixo do Luís Fernado Veríssimo saiu em 7 de abril em O Estado de S.Paulo.  A crônica Pelo Celular mostra até onde um bom papo de boteco pode chegar.

Você já deve ter tido a experiência. Está numa mesa de bar com uma turma, as bolachas de chope se multiplicam sobre a mesa, a conversa esquenta e de repente alguém se lembra de alguém. De um que prometera ir ao bar e não aparecera, de um amigo comum de todos que ninguém mais vira... E fatalmente alguém pega um telefone celular e diz "Vamos ligar para esse vagabundo".

Quando localizam o vagabundo, todos se revezam no telefone, xingando o ausente, intimando-o a aparecer, imitando voz de mulher e dizendo "Adivinha quem é?", fazendo ruídos de bichos, etc. Mas podem ir longe demais. Alguém na mesa pergunta "Que fim levou o Santoro?" e passam a catar o Santoro com o celular. Primeiro ligam para um número antigo dele, depois chegam a uma irmã dele através de uma moça do serviço de assistência ao assinante miraculosamente eficiente, depois chegam ao próprio Santoro, que faz um curso de informática em Grenoble, na França, e atende o chamado apavorado.


- Que foi? Que foi?


- Seu veado! Onde é que você anda?


- É a mamãe, é? Mamãe está bem?


- Que mamãe? Aqui é o Jander.


- Quem?!


- O Jander. Já esqueceu dos amigos, é?


- Jander, você sabe que horas são aqui?


- Aí não é mais cedo?


Jander ouve cinco minutos de desaforo antes de desligar o celular e dizer, magoado: "Como as pessoas mudam, né?". Dias depois ouvem que o Santoro ficou tão nervoso com o telefonema no meio da noite que abandonou o curso de informática, abandonou a França, voltou para junto da dona Djalmira, sua mãe, e está trabalhando no armarinho da família. O telefonema tinha mudado a sua vida por completo.


Outra: alguém na mesa diz que tem o telefone particular do Obama, na Casa Branca. Conseguiu na internet. Podem ligar para lá e quando o Obama atender dizer "Olha, é do Brasil, foi o senhor que esqueceu uma meia-calça no hotel?", ou "Aqui é o Kadafi, posso falar com a Michelle?". Aí alguém lembra que os americanos podem rastrear todas as chamadas para a Casa Branca, localizá-los por satélites e bombardearem o bar.


E há o mais bêbado de todos que diz que precisa ligar para o Ferreirinha pra saber como ele vai.


- Você esqueceu? O Ferreirinha já morreu. Está no Além.


- Eu sei - diz o outro, com o dedo já pronto para digitar. - Qual será o número?


E as bolachas de chope se empilhando
.

Terça-feira, Janeiro 04, 2011

Foto de boteco

Sempre é legal observar fotos antigas de botecos. Como espaços de sociabilidade urbana, os bares mostram sem enganação, muitas vezes com bom humor, um retrato da sociedade do lugar em que estão instalados. Sem hipocrisia nem encenação.

A belíssima foto abaixo, de 1936, é da brilhante fotojornalista americana Margaret Bourke-White. Publicada originalmente na revista Life, a imagem retrata um bar nas proximidades do Rio Missouri, no estado americano de Montana, próximo da construção de uma represa.

Além de mostrar um balcão clássico e copos de uma dose (para beber bourbon?), o retrato nos conta um pouco do que era viver o dia a dia na região naquele tempo. Chama atenção de a personagem central ser uma mulher, o que não imagino ser comum no noroeste americano nos anos 1930.

Os outros detalhes são um cartaz informando não servir bebidas para índios, versões gringas das nossas plaquinhas 'Fiado apenas para maiores de 80 anos acompanhados dos pais' e uma poster elogiando o então presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, em seu primeiro mandato.

Sem dúvida, digna deste blog para amantes da cultura de boteco.

(Clique aqui para ver um ensaio de fotos de Margaret Bourke-White)

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

Os bares de Agualusa



O ótimo romance As Mulheres de Meu Pai, do angolano José Eduardo Agualusa, relata a história de uma moçambicana vivendo em Portugal em busca de histórias de sua origem. Na busca, ela percorre Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique.

O curioso é que boa parte dos diálogos importantes do enredo ocorre dentro de bares. É ali que os personagens se desnudam para revelar um fato, abrir o coração ou mostrar outras personalidades.

Em cada uma dessas paradas, o escritor abre espaço para descrever o local e desvelar um pouco mais desses ambientes que nós gostamos muito.

Conheça alguns deles.

(Inevitavelmente o post ficou bem longo)

Lobito, Angola - "Revi o hotel Terminus, no Lobito. Lembro-me em criança ter almoçado lá algumas vezes. O que me lembro: 1) Dos empregados de mesa, muito hirtos, em resplendentes fardas brancas. Hoje, sempre que vejo um almirante recordo-me dos empregados de mesa do hotel Terminus. Se bem que nunca vi almirantes com tanta dignidade; ... O hotel Terminus foi recuperado por um banco privado angolano. Atrás, nas areias puríssimas da praia, ergue-se um bar bangalô."

Chibia, Angola - "Fomos depois à Chibia. Queria mostrar a Karen o Bar da Inês. Fica na rua principal. Não há muitas ruas na Chibia. O proprietário, um senhor de certa idade, mestiço muito claro, 'branco à rasca', segundo a Dona Augusta, nasceu em Malange e veio viver para a Chibia logo depois da independência. Tem uns olhos de azul diáfano, quase transparentes. Sportinguista ferrenho, pintou o pequeno espaço de verde e branco, e colocou em um dos cantos um leão de plástico.

Namibe (Mossâmedes), Angola - "O bar da Leopoldina está pintado de verde e branco. A um dos cantos, preso à parede,numa espécie de altar, entre velas acesas, dei com um gato empalhado pintado de verde. 'O que quer?', retorquiu o mucubal ao reparar meu espanto: 'Foi o Leão que se pode arranjar'. O mucubal fala com seu companheiro num idioma seco e sibilante, que a mim me parece russo. Victória, filha da terceira mulher do meu pai, serve mais duas cervejas aos jogadores (de xadrez). Peço-lhes três para nós. Pergunto-lhe: 'Estão a falar russo?'"

Canyon, Angola - "Estou na sala de jantar do Paraíso Lodge. Um homem gordo e calvo toca guitarra e canta em afrikaans. A vida inteira pensei que não pudesse existir no mundo inteiro nada pior do que música country. Afinal, existe: country cantado em afrikaans. Há mais um casal de boeres, que trabalham aqui, e dois adolescentes. Todos eles parecem muito animados com a atuação do homem gordo. Assalta-me uma sensação estranha: Estou em Angola e sinto-me estrangeiro. Nas paredes, há cartazes com imagens de peixes, e fotografias de pescadores carregando, orgulhosos, seus troféus"

Oncócua, Angola - "Levou-me a um bar chamado O Máximo, um lugar decrépito, com pôsteres de mulheres nuas colados às paredes e grades de cerveja encostadas aos cantos. Na luz escassa flutuavam rostos atormentados pelo álcool. Rapazes em tronco nu, com uma espécie de tanga de couro presa à cintura. meninas muito novas, com o cabelo laboriosamente entrançado, colares de búzios e miçangas, e os bicos duros dos peitos espetados nos meus olhos. Nossa entrada foi saudada com gritos e gargalhadas. Brand pediu meia dúzia de cerveja e distribuiu-as pelos rapazes e raparigas. Passou-me uma para a mão. 'Tarrachinha - disse, apontando para dois casais à nossa frente. - Lá na capital dança-se a tarrachinha?'"

Namíbia - "Anoitecia quando Pouca Sorte nos chamou a atenção para um bar, à beira da estrada. Parecia um cenário de um road movie americano, ao estilo de Thelma & Louise. Uma bomba de gasolina e o bar atrás, com um letreiro em neón: Moose's Bar. O deserto a toda volta. A luz rasa realçando o grão. Um céu de azul vibrante, porém quebrado, com vincos baços, como a fotografia abarrotada de um azul vibrante. Lá dentro havia apenas uma única pessoa, do outro lado do balcão, um homem na casa dos cinquenta, grande e gordo, já meio grisalho, apanhado num rabo de cavalo. Pedimos sumos de laranja e sandes de fiambre com tomate para os quatro."

Cidade do Cabo, África do Sul - "Ao longo da Long Street sucedem-se os restaurantes, os bares e as discotecas, quase todos cheios. Jantamos no Mama Africa, um restaurante de cozinha regional, enquanto uma orquestra de marimbas e batuques, acompanhava, numa euforia crescente, um jovem cantor, a intercalar trechos de obras famosas e velhas canções de Bob Marley. Seguimos depois, um pouco à deriva, de bar em bar. No primeiro, mais calmo, havia apenas casais de meia idade, todos brancos. No segundo movia-se aos empurrões uma turba ruidosa de jovens de todas as cores: loiros, ruivos, mulatos, negros, chineses, indianos, eu sei lá! Dir-se-ia uma convenção de modelos da Benetton"

Maputo, Moçambique - "Estávamos os quatro num restaurante de comida zambezina, na Feira Popular... Frango com churrasco, à zambeziana, é dos melhoes pratos, não obstante a singeleza do preparo. que se pode comer em Moçambique. Tempera-se o frango com sal, limão, pimenta e jindungo. Extrai-se o leite de um coco, rala-se o miolo e mistura-se com duas colheres de azeite. Grelha-se a galinha em fogo lento, regando-a constantemente com a mistura de coco e azeite. convém aproveitar o molho que vai escorrendo da grelha, e com o qual se rega a carne, novamente, na hora de ir para a mesa. Frango à zambeziana, pois, e cervejas para todos."

Luanda Angola - "Um boteco tosco, armado em cima do passeio, no alto do Quinaxixe, com vista para o caos urbano, e meio submerso pelo violento ruído do trânsito. Um barraca com um teto de lona, em pirâmide, três mesas em plástico, meia dúzia de cadeiras. O conjunto se chama Chapeuzinho e eu nem teria me dado conta sem as indicações de Monte.

Sexta-feira, Dezembro 03, 2010

Filmes dos anos 1950 da Guinness, o haikai das cervejas

A Guinness sempre foi craque de marketing. Os clássicos cartazes de animais com a excelente stout irlandesa estão espalhados por muitos botecos e pubs.

A versão animada, para TV, é bem menos conhecida. Os três filmes abaixo, muito bem-humorados, foram produzidos em 1955, 1956 e 1957.

Todos tão bacanas como um chope de Guinness (que o Cássio, dono do Frangó, apelidou de haikai das cervejas, por causa das três faixas no copo logo após a bebida ser servida)






Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

Cervejas com carinho



O bar Melograno, em São Paulo, comemorou seu segundo ano de vida com o lançamento de sua segunda cerveja, a Due. Assim como a primeira receita da casa, a Uno, a bebida leva extrato de romã em sua composição - uma escolha para aproximar a novidade com o nome do bar, que significa romã em italiano.

A Due é uma cerveja de estilo Dubbel, de origem belga, fabricada pela cervejaria Bamberg. O dono, o craque Edua Passarelli,  explica: "Com um tom marrom-avermelhado, espuma densa e duradoura". A definição do aroma inclui chocolate, caramelo, banana-passa, ameixa, cerejas secas e cravo.

Na festa de lançamento, eu provei pelo menos três taças e meu nariz pouco treinado não conseguiu perceber nem metade desses detalhes. O feeling é de uma cerveja encorpada e muito boa.

Ali também tive a oportunidade de experimentar outro produto do segmento premium: a Colorado Double Indica. Assim como a Colorado Indica (o double do nome informa que o líquido traz o dobro de malte), a cerveja tem um marcante aroma de maracujá.

O que as duas têm em comum (e o que é o mais  importante): são cervejas tratadas com o maior carinho do mundo, com honras especiais. Seus fabricantes têm orgulho delas. Sim, claro, querem vender, mas querem muito mais receber elogios de um trabalho bem feito.

É este espírito fraternal, botequeiro, em busca de qualidade, de descobertas, que ficou da festa dos dois anos do Melograno, bar especializado em vender cervejas diferenciadas. A percepção é que o mercado das pequenas cervejarias tem um espaço enorme para contribuir, no quesito novidades, texturas novas e sabores surpreendentes. Ótima notícia para quem gosta de cerveja.

Terça-feira, Novembro 30, 2010

Postais bebuns

O envio de cartões postais com piadas e frases de duplo sentido foram muito comuns no século XX - e muito deles tratavam de bares e bebedeiras.

Na Inglaterra, uma das referências desses produtos era a gráfica Bamforth & Co. A empresa foi criada por James Bamforth, fotógrafo de primeira geração, que passou a investir em bem-humorados cartões - cumpria mais ou menos a funções dos e-cards da era web.

São da Bamforth & Co. os exemplos abaixo. Copiados de uma site especializado (a cardcow.com), os únicos com data de postagem são os três primeiros, enviados respectivamente em 1909, 1910 e 1923. Mas todos são muito legais.








Terça-feira, Novembro 23, 2010

Vodca e cultura de boteco

O livro Rei da Vodca - A Saga Família Smirnov e a Construção de um Império está dentro da categoria que eu chamo de literatura de boteco. Ao contar a história da marca de vodca mais vendida do mundo, a Smirnoff, traz um monte de curiosidades bacanas.

Algumas delas:

- No início do século XIX, a lei russa proibia qualquer estabelecimento de bebida alcoólica a menos de 85 metros da entrada de uma igreja

- A origem da coroa na logomarca da Smirnoff está ligada ao fato de seu inventor, um ex-servo, ter como objetivo agradar os czares no século XIX

- Donos de tabernas exageravam no sal e na pimenta para aumentar a sede dos consumidores de vodca.

- O primeiro anúncio da então vodca Smirnov veio em 1881 - e criticava a onda de vodcas falsificadas que inundaram o mercado russo.

- O dono da marca nos Estados Unidos convocou um elenco estrelado para fazer propaganda da vodca nos anos 1960 e 1970 (clique aqui para ler a matéria no blog)

- Smirnoff aparece em 21 dos 22 filmes de James Bond