15 de outubro de 2010

O filme da cervejaria mais antiga do Brasil

O curta-metragem Cerveja Falada conta a história do que pode ser a cervejaria artesanal em atividade mais antiga do Brasil: a Canoinhense.

O filme, de 15 minutos, é dirigido por Demétrio Panaroto, Luiz Henrique Cudo e Guto Lima. O enredo gira em torno de Rupprecht Loeffler, 93 anos, até hoje colocando a mão na massa para manter a qualidade das receitas herdadas da família.

A fábrica de cerveja é o orgulho da catarinense Canoinhas, 54 mil habitantes, localizada a 380 quilômetros de Floripa. Foi fundada em 1908 pelo pai de Loeffler. Quatro rótulos são produzidos ali atualmente: a Nó de Pinho, a Mocinha, a Jahu e a Malzebier (veja a carinha deles abaixo do trailer).

A fita teve uma pré-estreia afetiva no Cine Queluz, em Canoinhas. A estreia oficial está marcada para 27 de outubro em Florianópolis, no Paradigma CineArte. Os paulistanos terão a chance de assistir à película em 5 de novembro, na Cinemateca Brasileira.

Tô louco para ver. Mas muito mais louco para tomar uma com o seu Loeffer.

Assista ao trailer!



14 de outubro de 2010

A magia dos copos e das taças

Tente repetir em casa a experiência publicada na edição de hoje do caderno Paladar, do jornal O Estado de S.Paulo. A reportagem convida o leitor a experimentar uma mesma bebida em diversos tipos de copos (incluindo o copo de plástico) para perceber as mudanças nos sabores em cada um deles. Faça com uísque, cerveja, vinho, o Grand Marnier... E começa a pensar onde você vai guardar todos os novos copos que irá comprar.

Leia aqui a íntegra da reportagem, numa versão on-line tão bonita quanto a impressa.  

Clássico em multimídia

O Grand Marnier é um licor francês de excelente qualidade, criado em 1880. A bebida combina a elegância de um autêntico Cognac com uma exótica variedade de laranja do Caribe. É ótimo e muito útil no preparo de drinques.

Para vender um produto tradicional no século XXI, a empresa preparou uma campanha de marketing multimídia, com cartazes lindos (lááááa embaixo), game para iPhone e um vídeo sensacional: a ilustração, o som, o roteiro, tudo é muito legal!






13 de outubro de 2010

Botecos por mais de mil ângulos

Muito bacana a galeria de imagens do grupo Botecos, do Flickr. O tema, claro, são os templos da brasilidade etílica. Vale pelo conjunto da obra: são 1.036 fotos (clicadas por 303 fotógrafos) de bebuns, bebidas, comidinhas, fachadas, garçons... É um panorama divertido de cultura de boteco por todo o país.

Mostro abaixo três delas, escolhidas aleatoriamente. Os autores são os usuário ::Flávio::, .merchan e lulu@.



11 de outubro de 2010

Escritor ambulante 

A edição deste mês da revista Piauí tem uma reportagem sobre uma figura clássica da Vila Madalena: o andarilho-poeta-escritor Yumbad Baguun Parral. O cara circula pelas mesas do bairro paulistano desde que eu me entendo por botequeiro.

Ele é autor de pelo menos dois livretos que merecem ser lidos, especialmente após beber duas garrafas de cerveja (das grandes) no Bar das Empanadas: o nada eclesiático Santa Puta - A Redentora e o compêndio de diplomacia São Bin Laden - Lampião da Globalização.

Infelizmente, eu (ainda) não os encontrei por aqui. Mas deixo aqui três pérolas que estão no texto para vocês terem uma ideia de seu perfil

"Tem mesa que agente aborda por educação. Sabe que o cabra nunca vai ler um livro na vida, mas é desfeita não oferecer para uns e não para outros"

"A noite é uma escola, uma pós-graduação em psicologia humana"

"Paulo Coelho vende os livros dele no mundo inteiro. Eu, por enquanto, ando apenas pela Vila Madalena e na Lapa. Então é justo eu dizer que, proporcionalmente, já vendi mais do que ele" (ao comparar seus 18 mil exemplares comercializados em 10 anos com os 135 milhões do mago)

9 de outubro de 2010

Os melhores da Vejinha - 5 anos de blog

A abstinência blogueira ultrapassou os sete meses desta vez, um recorde nos cinco anos em que o Bares e Futilidades surfa pela web. Não tem como arranjar desculpa, ainda mais eu que adoro internet e cultura de boteco...

O retorno é com um post clássico do blog, a análise rápida dos melhores bares de São Paulo, de acordo com os jurados escolhidos pela Vejinha SP. Eu, claro, estou entre eles - e devo dizer que votei em 7 dos 9 vencedores, uma performance de quase 80%. (meus votos não-premiados foram o Original, para melhor boteco, e no Barbolla, para ir a dois) 

É preciso dizer que a capa da edição 2010/2011 é a mais bonita de todos os tempos. Muito bacana. 

Vamos lá:

Melhor boteco: Veloso (Sensacional. Merece palmas por ser um lugar sem frescura, muito bem-cuidado, com preço justo e uma caipirinha insuperável. E um dono gente boa demais que deixa todos à vontade. Tô orgulhoso Otávio!)

Carta de cerveja: Melograno (Rivaliza com o Frangó como o melhor do assunto na cidade. A pequena dianteira surgiu pelo esforço de realizar encontros frequentes para apresentar cervejas adicionais ao cardápio.)

Carta de coquetéis: Subastor (O maravilhoso balcão incentiva ficar ali do lado do barman acompanhando a execução dos coquetéis. O menu de drinques traz receitas tentadoras para quem quer conhecer novos sabores e texturas. Só de dry martinis são oito opções.)

Cozinha: Bottagalo (Ótimo, mas ainda parece muito restaurante pro meu gosto. Uma brincadeira bacana são as opções de molho para comer com pão. Venceu mais pela novidade, pois é tão bom quanto o Adega Santiago, o Astor e o Bar da Dona Onça)

Música ao Vivo: Madeleine (Mistura um jazz gostosíssimo com um ambiente charmoso. Show de bola, ainda mais para ir a dois)

Para ir a dois: Terraço Itália (Clássico imperdível para namorados. Tem de ir pelo menos uma vez. O piano ao vivo, a formalidade dos garçons, o visual panorâmico, é um lugar com um estilo quase único na cidade, ainda mais nos dias de hoje, com as cervejarias pagando decoração de bar para um monte de gente)

Paquera: Vacaveia (É, antes de tudo, um grande boteco: salão simples, bom para comer e bebida honesta. Cheio, muito cheio, ainda mais de quinta a sábado. Só que sempre tem um apoio para o copo, mesmo na calçada. A variedade e o intenso vai-vem para pedir outra cerveja garantem dezenas oportunidades para cantadas e aproximações) 

Revelação e Barman do ano: Myny Bar (Sem dúvida, uma das melhores surpresas da cidade nos últimos anos. Som bacana, potronas confortáveis, nada de atropelo. Detalhe da decoração: primeiras páginas de jornais americanos do dia em que a lei seca entrou em vigor e de quando ela terminou. Mais caro do que a média. Brinque com os drinques, que trazem ingredientes inusitados.) 

4 de março de 2010

Atrás do Cemitário da Consolação

A Rua Mato Grosso, logo acima da Rua Sergipe, está cada vez mais movimentado. Na esquina com a rua Pará, o Bar Higienópolis é um desses lugarzinhos legais que surgiram ali, no cantinho de um bairro chique. É beeeeeeeeeem mais despretensioso que os restaurantes vizinhos Ici Bistrô e Mercearia do Francês. Ganha na simpatia.

O aconchego do ambiente é garantido pela iluminação suave e uma bem-bolada decoração concebida com papel e papelão reciclado. Observe os detalhes: o forro, as luminárias, as almofadas... Tudo feito com muito carinho. Mesas na calçada para o verão, com o visual da pracinha Vitor Del Mazo.

O chope Einsebahn traz um sabor diferente à mesmice da noite paulistana. As comidinhas, também. O bolinho de arroz vem acompanhado de um gostoso molho chutney. As batatinhas assadas vêm escoradas por gorgonzola e azeite. Bem bom.

Olha a foto aí embaixo para ficar com vontade. E Vai lá.

3 de março de 2010

Volta ao meu cantinho (pode voltar amanhã que vai ter mais!)

Deixo aqui um post depois de longo tempo para deixar duas bobagens publicadas no caldeirão midiático: uma reportagem feita pelo autor deste blog para o IG, para o novo canal IG Bebidas (clique aqui, leia o texto e visite tudo por ali), e, aqui em embaixo, uma nota publicada ontem na coluna do Ancelmo Góis, de O Globo.

Papo de botequim

De Jaguar, o velho lobo do bar, no Clipper, reduto da boemia do Leblon, no Rio, para um amigo que perguntou o que ele gostaria de levar para uma ilha deserta: — Um bar completo...

19 de novembro de 2009

A de Sempre

Reflexão esperta de Carlos Drummond de Andrade sobre a variedade de cervejas no mercado. O texto A de Sempre está no livro De notícias & não notíciasfaz-se a crônica, de 1974. Imagine se ele vivesse na época da confusão de marcas da Ambev.

(Eu demoro para postar, mas nunca esqueço nosso espaço aqui. Nem quando estou no antibiótico. Dias mais frequentes virão)


— Até beber cerveja ficou difícil — queixa-se.

— O preço?

— Não. A variedade. O embaras du choix.

— Mas se você já estava acostumado com uma...

— E as novas que aparecem? Em cada Estado surge uma fábrica, se não surgem duas. Cada qual oferecendo diversas qualidades. Você senta no bar de sua eleição, um velho bar onde até as cadeiras conhecem o seu corpo, a sua maneira de sentar e de beber. Pede uma cervejinha, simplesmente. Não precisa dizer o nome. Aquela que há anos o garçom lhe traz sem necessidade de perguntar, pois há anos você optou por uma das duas marcas tradicionais, e daí não sai. Bem, você pede a cervejinha inominada, e o garçom não se mexe. Fica olhando pra sua cara, à espera de definição. Você olha para cara dele, como quem diz: Quê que há, rapaz? Então ele emite um som: Qual? Você pensa que não ouviu direito, franze a testa, num esforço de captação: qual o quê? Qual a marca, doutor? Temos essa, aquela, aquela outra, mais outra, e outra, e outras mais. Desfia o rosário, e você de boca aberta: Como? Ele está pensando que eu vou beber elas todas? Acha que sou principiante em busca de aventura? Quer me gozar? Nada disso. O garçom explica, meio encabulado, que a casa dispõe de 12 marcas de cerveja nacional, fora as estrangeiras, sofisticadas, e ele tem ordem de cantar os nomes pra freguesia. Até pra mim, Leovigil? pergunto. Bem, o patrão disse que eu tenho de oferecer as marcas pra todo mundo, as novas cervejas têm de ser promovidas. Não mandou abrir exceção pra ninguém, eu é que, em atenção ao doutor, fiquei calado, esperando a dica... Não quis forçar a barra, desculpe.

— E aí?

— Aí eu disse que não havia o que desculpar, ordens são ordens e eu não sou de infringir regulamentos. Os regulamentos é que infringem a minha paz, freqüentemente. Mas para não dar o braço a torcer, nem me declarar vencido pela competição das cervejas, concluí: Leovigil, traga a de sempre.

— Não quis dizer o nome?

— Não. Minha marca de cerveja — "minha garrafa", digamos assim, pois a individualidade começa pela garrafa — passou a chamar-se "a de sempre". Não gosto de mudar as estruturas sem justa causa, nem me interessa dançar de provador de cerveja, entende?

— Mas que custa experimentar, homem de Deus?

— Só por experimentar, acho frívolo. Os moços, sim, não encontraram ainda sua definição, em matéria de cerveja e de entendimento do mundo. Saltam de uma para outra fruição, tomam pileques de ideologias coloridas, do vermelho ao negro, passando pelo róseo, pelo alaranjado e pelo furta-cor. Mas depois de certa idade, e de certa experiência de bebedor, você já sabe o que quer, ou antes, o que não quer. Principalmente o que não quer. E é isso que os outros querem que você queira. Tá compreendendo?

— Mais ou menos.

— Na verdade, não há muitas espécies de cerveja, no mundo das idéias. Mas os rótulos perturbam. Uns aparecem com mulher nua, insinuando que o gosto é mais capitoso. Bem, até agora não vi rótulo de cerveja mostrando mulher com tudo de fora, mas deve haver. Mulher se oferecendo está em tudo que é produto industrial, por que não estaria nos sistemas de organização social, como bonificação?

— Você está divagando.

— Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí.

— Ou se percam.

— E se percam. Exatamente. 0 importante não é beber cerveja, é ter a ilusão de que nossa cerveja é a única que presta.

Sujeito mais conservador! Ou sábio, quem sabe?